30 de jan. de 2009

Que a chuva caia. Alívio Imediato. Para minha irmã que quer ser uma borboleta.



Nunca parei pra pensar o que realmente sinto sobre a chuva. Sei que gosto dela quando estou em casa e posso dormir ao sofá escutando aquele barulhinho bom do tilintar melodioso dos pingos no telhado de zinco da casa do vizinho. Mas confesso que a detesto quando tenho de atravessar a cidade a pé em meio a tantas poças e lugares alagados, molhando, irremediavelmente, meus pés- te seca, vais pegar um resfriado, todos dizem!
Ainda há pouco recebi uma ligação que acalmou, um pouco mais, meu ex-aflito coração. Era uma voz conhecida, muito amiga. Aliás, uma das vozes que mais amo ouvir ( e ver, sentir, cheirar , tocar) nesta vida. Trouxe-me conforto; fez-me companhia nesta hora em que me encontro sozinha, insone e exausta. Mentalmente, porque meu corpo parece brincar em me desafiar a entrar em uma batalha. Ou naquelas partidas de futebol em que os 90 minutos normais parecem não ser suficientes àquelas pobres criaturas que ficam ziguezagueando pra lá e pra cá e o juiz ainda concede a prorrogação. E lá se vão mais 15 minutos de cada lado a testar a resistência, e a paciência, dos envolvidos. Inclusive dos que participam passivamente do jogo, mas que não suam a camiseta. E nem precisam sair de seus lugares.

O fato é que, voltando ao telefonema, instantes após receber a boa notícia, dei-me conta de que uma forte e, novamente, ruidosa chuva caía lá fora. E creiam-me: a chuva começou exatamente depois disso. Nem antes, nem durante, nem depois. Posso provar, se preciso.

E então, pela primeira vez em quase 34 anos de vida, parei pra pensar na chuva não apenas como estado metereológico, ou como cantiga de ninar ou empecilho pra sair. Reparei que a chuva- seja ela de granito ou de água ácida, de garoa, forte ou fraca, ruidosa ou silenciosa,tempestade, ou o que seja- também funciona como bálsamo às nossas inseguranças e medos mais profundos. E assim como os pingos de chuva são nossas lágrimas: que brotam de algum lugar, duram e resistem algum tempo e depois se esvaem e desaparecem como se nunca tivessem existido.

Espero que, assim como hoje, cada chuva que caia traga alívio imediato. Pra todos nós. Pra cada um de nós.

E torço para que, da próxima vez quando quisermos "lavar a alma", seja por um motivo tão alegre e inexplicável como o existir de uma chuva.